“Olha que desgraça. O moço quer me fazer feliz. E acabar com a maravilhosa sensação de ser miserável. E tirar de mim a única coisa que sei fazer direito nessa vida que é sofrer. Anos de aprimoramento e ele quer mudar todo o esquema. O moço quer me fazer feliz. Veja se pode.”
“- Essa camisa tem dono.
Meu coração estava na boca. Tu estava na minha frente usando a calça de couro e a camisa social rosa de punhos brancos que eu tinha visto mais cedo na festa. Com aquele sorriso torto que assolava a minha capacidade de manter o meu pulso sobre controle, como se não tivesse nada melhor para fazer as quatro da manhã do que está recostado no batente da minha porta com as pernas cruzadas.
- Você sempre soube que ela ficava melhor em mim.
Foi tudo o que consegui responder. Eu não sabia quanta saudade podia passar pelos pontos de ligações elétricas do meu corpo. Eu não sabia que aquele seu olhar petulante de quem carregava toda a sacanagem do mundo nas mãos poderiam me deixar tão devastada a ponto de sentir vontade de te agarrar ali mesmo. Principalmente quando você começou a chegar mais perto me fazendo dar um passo em falso para trás.
- Não, eu sempre soube que tu ficava bem melhor sem ela.
Foi ai que me beijou. E eu finalmente consegui entender porque a minha cama sentia tanto a sua falta. Ninguém nunca me beijava da forma como você fazia. Como se nada no mundo fosse mais importante do que explorar cada canto da minha boca. Daniel, o toque dos seus lábios eram sentidos pelas pontas dos dedos , percorriam a minha coluna até a região existente entre minhas pernas. Eu me sentia viva quando era beijada por você. E todo esse desejo que emanava do meu corpo, era correspondido. Eu podia senti-lo pressionando insistentemente a sua calça enquanto as suas mãos arrancavam a minha camiseta, eu sentia todo o seu corpo sobre o meu, e cada milímetro daquele peitoral que tanto senti falta me fez querer arrancar cada botão da camisa cara que você usava e, quando me dei conta as minhas pernas estavam envoltas de sua cintura e você estava nos levando para cama. Desabotoando rapidamente o sutiã e tocando com o seu hálito quente os seios desnudos que sempre foram seus. Eu estava derretendo. As minhas mãos abriam o zíper de sua calça e tirava com os pés, porque eu queria, porque eu sentia falta daquele volume em minhas mãos. Tu sorria me deixando ensandecida quando com os dedos firmes e fortes que encontraram a convavidade entre minhas pernas. Meu deus, como eu sentia falta daquilo. Do seu nome sussurrado entre meus dentes, da sua boca em meus mamilos, dos seus dedos me deixando ainda mais úmida e quente, das minhas unhas arranhando as suas cortas como se fosse propriedade minha. Eu queria você. Cada parte do meu corpo gritava alto por ti e era como se eu dependesse daquele momento. Das caricias, dos beijos que percorriam cada milímetro da minha pele esbranquiçada. E quando minhas mãos apertaram a sua nunca, tu se encaixou em mim. Era o paraíso. Era como morrer e estar em algum outro lugar que só você era capaz de me levar. A cada movimento, a cada milésimo de centímetro em que tu se movia era como sair do meu próprio corpo, como se aquilo nunca fosse parar de existir. As chamas em consumiam, o meus ossos correspondiam ao desejo ímpeto, se é que isto era possível. Eu não entendia como tinha conseguido passar sete meses sem você. Eu não entendia como alguém conseguiria ser moldado para o meu corpo daquela forma. Aquele abismo, do qual eu caia agora enquanto meu nome era sussurrado pela sua boca, era esplendoroso, épico, me fazia querer cantar por mais brega que isso parecesse. E sentir o teu corpo caído sobre o meu, com aquela expressão no rosto era a certeza de saber que tínha acabado de me encontrar lá também.
E quando os únicos barulhos que eu conseguia escutar era o batimentos do meu coração batendo contra o peito e a nossa respiração ofegante, finalmente pude entender porque sentia tanto a sua falta.
Eu finalmente consegui entender porque amava você.”
~
Mais que Casual,
parte III - Danielle Quartezani (via
capitanias)
“
Você disse que era só sexo, e eu concordei deixando você tirar minha roupa. Porque não havia mal nenhum em sexo, com um amigo, ou no caso, com o cara que eu conhecera a uma semana. Um pouco de conversa casual e prazer depois do vinho no terraço da minha casa? Isso não me levaria a ficar escondida no quarto, desejando não ver nenhum homem mais na minha vida, porque beltrano levou um pedaço da minha alma quando disse tchau. Não, sexo era só sexo. Dois corpos em busca de satisfação, puramente egoísta, que não tinha nada haver com aquele tal do amor masoquista e melodramático, que exigia tempo integral da minha exaustão. Então, eu fiz sexo com você. Na primeiro dia, na segunda semana, e no terceiro mês do ano, onde eu já nem lembrava mais do outro cara. Porque era contigo que eu passava o dia inteiro trocando sms, e rindo na sexta feira à noite do novo estagiário da sua empresa. E depois, diversão na sua casa é claro. Foi contigo que passei o final de semana em casa porque não conseguia ficar sozinha,- eu tava carente, chata, e matando um aos gritos -, mas você ficou lá, mesmo não tendo sexo. E no quinto mês também, quando tu disse, que não queria festa de aniversario, porque todo antissocial não gostava de gente, que eu, por sinal, era a única ser humana tipicamente nova iorquina que você suportava, porque eu te dava sexo, é claro. então, fiz uma surpresa, apareci na porta da sua casa com um sobretudo da loja de departamento que odiava, com a lingerie da sua cor favorita, e cupcake nas mão , te desafiando a não gostar desse aniversário. E depois de me melar inteira de chantilly no balcão da cozinha, tu disse que aquela fora a primeira vez que comemorava a data desde que seus pais se foram, num acidente de carro, e eu te conheci mais um pouco. Como naquela semana que passamos na casa de praia. Só eu, você, e sexo, na areia, no quarto, na varanda, e perto da lareira. Você me ensinava o que eu de menina ingênua, nunca quis conhecer, mas com o meu melhor amigo, não tinha mal em aprender, porque você já conhecia todos os meus lados como ninguém. A gente andava de mãos dadas na rua, e só soltava quando achava que alguém era suficiente pro outro e vice-versa. Sempre na brincadeira, de quem se queria mais, de quem sabia se provocar mais. A gente falou que se amava tantas vezes e eu nem me dei conta, a nossa amizade era a melhor que existia: sexo, amigos e bebidas. Conversas, desabafos e química. E quanta química, física, matemática, biologia e anatomia. Só não tinha amor, porque éramos só… Eu já não sabia. Pelo menos não soube quando você me disse que queria pegar uma garota, pegar não, ficar sério. Eu tentei lembrar o nome dela, porque tu já tinha me falado milhares de vezes, só não dei atenção, as tantas agulhazinhas que me beliscavam quando você falava da tal Júlia do seu setor. Loira, alta, saída de uma capa de revista, acho. Eu era mais gostosa, pensei, filho de uma mãe hipócrita, você não falava que não gostava desses tipinhos? Te deixei pra lá, com a tua nova namorada. A gente parou de se falar, de se encontrar, e você não ia mais assistir três tipos de gêneros diferentes, de filme comigo aos domingos.
E ai, eu fiz sexo com outro cara, com outros na verdade. Mas nenhum deles sabia me extasiar, ter uma conversa confortável na cama, ou me deixar a vontade com a luz acesa. Eles só falavam que eu era linda, maravilhosa me deixando irritada, me deixando puta. Porque não era o que eu queria saber. Queria era que conseguissem me deixar insana dentro dos vidros do box banheiro, ou que conhecessem cada ponto fraco da minha pele esbranquiçada, como você. Eu senti sua falta. Do sexo, das conversas, dos dias. Até o seu espaço na minha cama sentia sua falta. Porque tinha deixado de ser sexo. E eu tava trancada no meu quarto não querendo ver mais nem outro beltrano na minha frente outra vez.
”
“Em casa de menino de rua, o ultimo que dormir apaga a lua.”
“Vieram me contar que você anda ótimo. Feliz da vida, distribuindo felicidade e saúde por aí. Confesso que nasceu em mim uma pontinha de desapontamento por nenhum das minhas preces e macumbas terem dado certo. Poxa, ele não ficou frustrado após ter pisado numa poça de lama a caminho do trabalho? Nem perdeu a sua gravata preferida? Ou quem sabe ele está cheio de contas pra pagar? Nada. A sua vida está completamente e absurdamente perfeita sem mim. É horrível precisar admitir isso, mas a minha anda monótona e vazia sem você. Eu queria, do fundo do meu coração, que algo te deixasse um pouco pra baixo de vez em quando, só pra eu não me sentir tão inútil e ridícula assim. Um dos nossos amigos em comum disse que você sai todas as noites e volta com quatro ou cinco mulheres diferentes penduradas no pescoço. Ele também disse que você bateu o recorde de quantas garotas levou pra cama nessa última semana. Nas baladas, o centro das atenções é você. E todos os domingos você assiste futebol naquele bar que eu sempre odiei, dando vexame e voltando pra casa carregado por um ou dois fortões do bairro. Os outros caras te veem como um babaca metido a garanhão - o que, de fato, é o que você é. A sua vida agora é da academia pra casa, casa pro trabalho, trabalho pra academia. Comentaram que nesse meio tempo você foi demitido de seis empregos por não aguentarem o cheiro de cachaça que ficava empregando nas suas roupas às sete da manhã. Sua casa era o local marcado das festas nas quintas-feiras. Você, infelizmente, abriu mão de ser o meu mundo pra ser, literalmente, do resto do mundo. Devo lhe desejar os parabéns, então? Ao contrário do que pensei, você se saiu muito melhor na matéria de me esquecer. Não, não estou reclamando, longe disso. A errada da história sou eu. Você está mais do que certo em curtir a vida como se não houvesse amanhã, afinal, quem garante que haverá? Eu, por outro lado, sigo lentamente nessa estrada sozinha e cheia de ruídos medonhos. As nossas fotos ainda estão emolduradas na estante da minha sala e o guarda-roupas ainda tem o espaço pra suas camisas amarrotadas. Desculpa, mas ainda não me ensinaram a passar uma borracha definitiva em um dos capítulos mais importantes da minha vida. Como era mesmo que você dizia? Ah! Você enchia o peito pra falar que existem coisas mais importante que sofrer por amor. Concordo, mas não sigo essa linha de raciocínio. O amor, pra mim, é a única coisa pela qual vale a pena sofrer. E eu, tola, burra e inocente, pensei que você também sofreria por mim. Alguns dias atrás eu te vi atravessar a avenida de mãos dadas com uma loira que tinha o dobro da minha altura e o triplo de carne alojada na bunda. Doeu, doeu muito. Não por causa da loira, das mãos dadas ou do ar romântico que envolviam os dois, mas por causa do sorriso que estava estampado no seu rosto. Foi a primeira vez, depois de todo esse tempo cercado de silêncios e ligações recusadas, que eu te vi, com os meus próprios olhos, sorrir pra outra pessoa. O problema é que eu te conheço melhor do que ninguém - se duvidar, melhor até mesmo do que a sua própria mãe - e pude perceber, numa fração de segundos, que no canto do teu sorriso havia uma pontinha de saudade. Você sorria de orelha à orelha e engava todo mundo, menos eu. A loira, a morena, a ruiva, a filha do prefeito e a Márcia da rua de baixo podiam te ter por uma noite, mas somente eu te tenho pra sempre. Porque nenhuma delas te olha e te faz sentir homem de verdade, capaz de segurar uma mulher por mais de três semanas. Nenhuma delas entende a sua carência depois do sexo, o seu medo de morcegos e a sua preferencia por lingerie branca. Pode sair, lamber nove virilhas diferentes, beber até cair desacordado no chão e só voltar no dia seguinte desde que isso signifique que você ainda me ama.”
“Você sempre quis que eu fosse uma menina má, onde deixasse os princípios de lado e ousasse um pouco mais na vida. Talvez de tanto ouvir este comentário teu acabei conhecendo um lado que não sabia que existia. Uma menina sem regras. Eu gostava de ser admirada por todos à minha volta, sempre continha um sorriso brilhante por tamanho orgulho de mim mesma, e hoje eu mostro o dedo ofensivo a estas mesmas pessoas. Ah dane-se. Mas que miséria. As mudanças físicas são completamente visíveis, o corpo magro tornou-se esbelto, os laços no cabelo deu o lugar para o babyliss e chapinha, as roupas de criança ficaram no fundo do armário, junto com os diversos sapatos delicados, e a personalidade de menina ingênua petrificou-se dentro de si. Mas e o seu coração, será que mudou? Ela dizia todos os dias diante do espelho: “Seja forte, guria. Não é hora de ser fraca novamente, e muito menos querer ser o que era antes.” A mesma frase era dita dia a após dia. Talvez a garota tentava ensinar ao teu sub-consciente o que ela havia se transformado… Mas por dentro sabia que não gostava tanto assim desta nova versão. Naquele momento gostaria de estar com os amigos assistindo um filme de comédia invés daquela balada barulhenta. A menina estava sufocada com o vazio que habitava sua alma perdida, ela bebia goles e mais goles de um whísky barato para tentar saciar uma sede desconhecida, beijava outros cara procurando encontrar um sensação que só sentiu com um garoto na vida, o que mais a magoou. Aquele que de tanto insistir a fizera mudar completamente. A menina queria desesperadamente sentir as coisas que sentia em uma outra época mais branda, que olhando agora parecia ter pertencido a uma outra vida, ela queria correr na chuva como corria antes, queria chorar com filmes bobos e clichês, queria ficar derretida ao ler um sms fofo, queria passar suas tardes falando do cabelo desbotado das outras garotas com suas amigas que hoje são apenas conhecidas, mas parecia que nada disso provocava mais emoções em seu coração endurecido. Ela se olhava no espelho e ao ver seu reflexo se perguntava em que momento tinha ocorrido essa mudança tão drástica, se perguntava se tinha feito a escolha certa, se essa era realmente a opção que lhe faria bem. Agora a pobre menina não tinha certeza de mais nada, ela andava perdida em meio ao aroma de cigarros e bebidas que nesse momento já haviam impregnado em seu ser , ela queria voltar atrás mas sabia que não era possível. Ela, a pobre menina entorpecida por tantas ilusões, quedas e machucados carregava em si hematomas obscuros que jamais sairiam de sua carne, essa tal menina cujo nome foi esquecido sou eu, ou melhor, uma nova eu. Uma nova eu que anda vagando pela noite com uma falsa sensação de liberdade que se vai assim que ela deita a cabeça em seu travesseiro mofado e começa a lembrar que sempre estará presa ao seu passado.”
“Essa garota precisa de alguém com tempo e com todo o coração do mundo pra entender a alma dela.”
“Ela sabia que precisava dele. Pelo menos naquela noite chuvosa e sem grandes esperanças. Mas tinha medo da compulsão. De querer ele sempre e sempre e pra sempre. E amanhã e depois. E de dia, e tarde, de madrugada. E não saber digerir tanto amor e tanto amor acabar lhe fazendo mal. Só mais um pouquinho, pensou. Uma lasquinha. Pra dormir feliz. Amanhã era amanhã. Depois ela resolvia.”
“Parece que todos vivem testando a minha capacidade de suportar tudo com um sorriso no rosto. E talvez não seja coincidência isso acontecer justamente quando tudo parece estar indo bem, sempre haverá alguém tentando apagar o seu sorriso. Malditas pessoas! Parece estar no âmago do ser humano a capacidade de fazer as pessoas infelizes. Soa tão sádico encontrar prazer na desgraça alheia. Da mesma maneira que alguém faz piada de uma grande desgraça que mata centenas de pessoas, alguém vai ver você chorar e vai rir. As pessoas me dão medo, não sei até onde a maldade delas pode chegar. Só sei que sinto raiva, das pessoas, e de mim, por me importar, e me importar muito. Apesar do esteriótipo forte, pequenas coisas são capazes de me machucar. Mas as pessoas não me verão chorando por ai, não darei esse gostinho a eles, vou sangrar dentro desta armadura, vou aguentar firme, vou mostrar a todos eles que a minha capacidade de ser feliz é muito maior do que toda a maldade deles.”
“Dar é dar. Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido, mas dar é bom pra cacete. Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca, te chama de nomes que eu não escreveria, não te vira com delicadeza, não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom. Melhor do que dar, só dar por dar. Dar sem querer casar, sem querer apresentar pra mãe, sem querer dar o primeiro abraço no ano novo. Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral, te amolece o gingado, te molha o instinto. Dar porque a vida de uma publicitária em começo de carreira é estressante, e dar relaxa. Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã. Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro. Dar é bom, na hora. Durante um mês. Para as mais desavisadas, talvez anos. Mas dar é dar demais e ficar vazia. Dar é não ganhar. É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro. É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir. É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de ano novo e pra falar: “Que cê acha amor?”. Dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito. Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor, esse sim é o maior tesão. Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar o suficiente pra nem perceber as catarradas na rua. Se você for chata, suas amigas perdoam. Se você for brava, suas amigas perdoam. Até se você for magra, as suas amigas perdoam. Mas… experimente ser amada.”
“Não sou capaz de falar metade das palavras bonitas que guardo para muitas pessoas. Não sei se você me entende, mas dizer palavras bonitas não depende somente de nós. Porque o outro precisa entrar na sintonia, sentir como nós, receber da mesma forma que estamos enviando. Entende isso? As palavras precisam fazer valer, e nem sempre me arrisco a desperdiçá-las.”
“Perca o ônibus por mim. Diga que vai esperar o próximo, mas quando o próximo passar, finja que não viu, não ouviu, não estava interessado no tempo. Quando tiver na hora de ir embora, peça com carinho pra que eu fique um pouco mais. Veja o dia virar noite em uma conversa besta e informal. Use a desculpa de que ainda é cedo ou ainda temos tempo sobrando - ainda temos nós. Deixe mil ônibus passarem, mas por favor, não me deixa passar. Fala, grita, segura com força a alça da minha bolsa, sei lá. Perde o assento principal na janela, mas não se perde de mim.”
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Capitule “Aleatoriamente, você.” (via
allaxg)
“O amor somos nós. A discórdia, reviravolta e incoerência também. Vivemos o relacionamento inexplicável. Quando você vai embora, diz que não volta e chora. Não importa. No final você volta, ou eu te encontro. Os dias costumam ser mais frios sem a tua presença. A noite não é a mesma pra você sem mim, porque ambos sabemos que em meio ao sono, você procura o meu cabelo e um abraço apertado. E se não encontra, o vazio te preenche e a felicidade se vai. Dizem por aí que não nascemos pra dar certo, mas estamos sobrevivendo juntos. Uma vez ouvi dizer que amar é cuidado e proteção, carinho e confiança. É ter paz na alma e fé na vida. E talvez seja verdade que somos opostos, desconexos e sem sentido. Mas acima de tudo, a gente se cuida, se protege e se confia. Estamos em constante conflito com a paz, porém, de mãos dadas com a vida. Sem dúvidas, falta o destino a nosso favor. Mas amor? O amor nos consome.”
“Aí o telefone tocou. Deixei tocar. Nunca atendia ao telefone na parte da manhã. Tocou cinco vezes e parou. Eu estava sozinho comigo mesmo. E, por mais repugnante que fosse, era melhor que estar com alguém, qualquer um, todos lá fora fazendo seus pequenos truques e piruetas. Puxei as cobertas até o pescoço e esperei. Decidi ficar na cama até o meio-dia. Talvez então a metade do mundo estivesse morta e ele seria menos difícil de enfrentar.”
Aí você vê o comportamento de uma garota e sente pena por ela. Por perceber que ela sempre vai ser vista pelos homens como a vadiazinha da turma, como o peguete de final de semana, que só vai receber atenção quando os caras quiserem sexo. Tem mulher que nunca vai ser vista como mulher, será sempre um objeto, desses que a gente usa e depois joga fora.